Os motores de quatro cilindros começaram a ser utilizados nos automóveis de Sport da Ferrari na Primavera de 1953. No Grande Prémio dell’Autodromo em Monza, por entre os tradicionais Ferrari equipados com motores de 12 cilindros, surgiram dois modelos equipados com motores de 4 cilindros: o 625 TF (também designado por 625S) de carroçaria fechada Vignale (idêntico ao 250MM da época) equipado com o motor 4 cilindros com 2,5 litros, derivado em linha directa do motor 625 de Fórmula 1, pilotado por Mike Hawthorn, e o 735 S de carroçaria aberta, muito original, desenhada ao que se julga pelo próprio Engº Lampredi e construída pela Carrozzeria Autodromo de Modena, estando equipado também com um motor de 4 cilindros, mas neste caso com 2,9 litros de cilindrada (2.941CC), este pilotado por Ascari.
O Ferrari 735S foi sofrendo evoluções até ao 750 Monza. Um automóvel que dispunha de um motor de 3 litros (2.999cc) do tipo 119 e 260 CV de potência, e de um châssis do Tipo 510.

Nº de chassis construídos (1953): Total de 2, #0444MD e #0446MD/#0556MD

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#0444MD


Vasco Sameiro utilizou durante o ano de 1954 o Ferrari 735 S (#0444MD), châssis do tipo 501 e o motor do tipo 735 (nenhum châssis deste tipo alguma vez foi designado por Monza) tendo corrido o I Grande Prémio do Porto no Circuito da Boavista com ele (com o nº 18) não chegando a terminar. A 20 de Fevereiro de 1955 correu no Grande Prémio do Maracanã no Brasil, tendo ganho brilhantemente essa prova com o nº 3 nas portas do Ferrari.
Em meados de 1955, este Ferrari foi adqurido por Herbert Mckay-Frazer, que o inscreveu no V Grande Prémio de Portugal, disputado no Circuito da Boavista, no entanto problemas insistentes e irresolúveis no motor e caixa de velocidades do 735S fizeram com que não tomasse parte na corrida. Foi então que comprou o motor de 3 litros do 750 Monza #0576M do seu amigo Vasco Sameiro, acidentado durante os treinos da mesma competição, montando estes componentes no #0444MD, passando desta forma a ser um 750S, tendo feito a sua primeira prova ao volante desta configuração, a 24 de Julho, no Grande Prémio de Portugal corrido no Circuito de Monsanto. A carreira desportiva deste Ferrari prolongou-se até finais de 1960.


1954

V Circuito Internacional do Porto
I Grande Prémio do Porto
26/27 de Junho
Vasco Sameiro (nº18)
Treinos: 9º
Corrida: Não terminou

II Circuito Internacional de Lisboa
IV Grande Prémio de Portugal
Cicuito de Monsanto
24/25 de Julho
Vasco Sameiro (nº11)
Treinos: 5º
Corrida: Não terminou
(Foto: Coleção Manuel Taboada)

Grande Prémio Penya-Rhin 
Circuito de Pedralbès (Barcelona)
23 de Outubro
Vasco Sameiro (nº28)
Treinos: 12º
Corrida: 4º (39 Voltas / 1h 43' 29'',5)
(Foto: Col. Joan Albert Larrosa)


1955


IV Circuito do Maracanã
6 de Março
Vasco Sameiro (nº3)
Corrida: 1º (v.m.r.)




V Grande Prémio de Portugal
VI Circuito Internacional do Porto
25/26 de Junho
Herbert Mackay-Frazer (nº1)
Inscrito mas não participou




III Grande Prémio de Lisboa
Circuito de Monsanto
23/24 de Julho
Herbert Mackay-Frazer (nº21)
Corrida: 7º

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#0446MD/0556MD




Embora seja corrente dizer-se que Joaquim Filipe Nogueira pilotou um Ferrari 750 Monza no II Grande Prémio do Porto, na realidade o piloto português utilizou um 735 S (#0446MD/0556MD). Este Ferrari pertenceu a André Canonica, tendo iniciado a sua carreira como um 500 Mondial Spyder Série II (#0446MD/1954), foi utilizado pelos pilotos François Picard e Paul Maret, para nos finais de 1955 voltar à fábrica da Ferrari para ser refeito o seu número de chassis (#0556MD – Tipo 501) e ser equipado com um motor de 2,9 litros (Tipo 735) e duas pequenas entradas de ar à frente do pára-brisas. Existem alguns pormenores exteriores que identificam este 735 S, como as entradas de ar orientáveis colocadas dos dois lados do posto de pilotagem e que são exclusivas do 735 S (#0446/0556MD).
O francês François Schaeffer é o actual proprietário do Ferrari 735 S (#0446/0556MD), depois deste ter pertencido à célebre colecção do Mas du Clos de Pierre Bardinon. No curriculo deste automóvel contam-se cerca de cinquenta corridas.


1955

III Circuito Internacional de Lisboa
 Grande Prémio de Lisboa
23 e 24 de Julho
Francisco Godia Sales
Treinos: -
Corrida: 3º (55 Voltas / 2.15.26,500)


1956


VII Circuito Internacional do Porto
 II Grande Prémio do Porto
17 de Junho
Joaquim Filipe Nogueira (nº19)
Treinos: 3º
Corrida: Não terminou
(Fotos: Coleção José Filipe Nogueira, Manuel Taboada e MiniSquadra)